maio 19, 2010

Poetisa aos 10 anos fala do medo

O medo do medo que tenho

Um medo pequeno,
Vai crescendo, vai crescendo
E parece não ter final.

Um buraco negro, fundo e temido
Que vai sugando, vai sugando
Até o fim.

Um monstro feio,
Coisa nojenta,
Que parece não acabar.

Um pesadelo que o despertador,
Não é capaz de parar.
Um monstro imortal,
Um ser humano anormal.

Um esqueleto que não se quebra,
Um mundo impossível de fugir.

Um fogo que não se acaba,
Um coração que não se encaixa.

A coragem,
Parece não escutar
Mas se tiver medo assim,
Tente enfrentar,
Para ele acabar.
(Eduarda, 2009, poema mandado pela amiga Penha. Obrigada. É lindo!)

maio 17, 2010

Da Série o Corpo: A Língua

Falar ou não falar??
Volto ao livro Corpo Território do Sagrado (Edições Loyola)
Para o autor, Evaristo Eduardo de Miranda, a boca apresenta quatros elementos: terra (os dentes), líquido (saliva), ar (respiração) e fogo (língua). Ainda lembra que simbolicamente a língua parece uma chama, pois tem forma e mobilidade. Por isso, a língua destrói e purifica, enaltece e arrasa. Quem domina a língua, tem domínio de si próprio. Como o cavalo que é dominado pela mordaça.

Difícil. Difícil.Difícil. Disciplina. Disciplina. Disciplina.

Parece que a língua cala quando o coração dispara. É o famoso "boquiaberto". Se o peito arde, falar é bom... limpa a alma qual fogo que purifica.
Gritar mesmo só se for gooool (do Botafogo, falei!), senão sai todo mundo consumido e ressequido. E aí? quem pode saber se litros d'água nos restabelecerá?
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Cumprimentos: Masculino/Feminino

Recebi da amiga Juba este desenho gracinha. (autoria desconhecida) Somos assim? Humm, mau, hein?

Edifício diferente


maio 12, 2010

Pra tomar café e conversar

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O lorde caipira



Hoje vou contar a história de um caipira de olho azul. Coisas de Minas.
É assim:
Lá no fundo do brejo vivia um homem discreto, de pouco riso
Do brejo, um dia ele sai.
No claro o povo começa a notar
o elegante andar, coluna reta, ombros no lugar, passos firmes pra lá e pra cá.

O povo começa a conjecturar: de onde vem este estrangeiro? será um forasteiro?
Olho azul, mãos longas, pele branca, cabelo de algodão.
Deixa estar. O povo não viu nada!
O homem começa a falar. Voz macia, sem pressa de chegar, doçura no olhar, jeitinho dengoso,
terra fofa pra capinar.

O povo começa a suspeitar: - Parece mineiro este estranho, sei não...
- tem coração bão, veio daquelas paragens donde pulsam três corações.
-Cumadre, vem cá!

A moça da cidade já queria pegar...
-Quê isso, seu moço! Deixa o caipira quieto pra lá. Senão ele vai desconversar e o caminho da roça não vai ensinar.